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Horas a mais de sol a partir de domingo
O Horário de Verão retorna a alguns estados brasileiros a partir deste domingo, dia 19, quando os relógios deverão ser adiantados em uma hora

Marcos Fernando Kist
Entre zero hora do dia 19 de outubro de 2003 e zero hora de 15 de fevereiro de 2004 entrará em vigor nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste (menos o Mato Grosso) mais um horário de verão. Com ele voltam as discussões de todos os anos. Afinal, por que são adotados? Como funcionam? A economia de energia realmente justifica os transtornos causados à população? Existem realmente “trans-tornos” em função do horário de verão? E quem foi o autor dessa “idéia”?

Histórico
Estabelecidos por decreto desde 1931 no Brasil, ainda que de forma descontínua, as origens do horário de verão na verdade remontam à Inglaterra do ano de 1907. Foi lá que um construtor londrino, membro da Sociedade Astronômica Real, chamado William Willett (1865-1915) deu início a uma campanha para diminuir o consumo de luz artificial ao mesmo tempo que estimulava o lazer dos britânicos. Num panfleto de 1907 intitulado “Waste of Daylight” (Des-pedício de Luz Diurna), Willett propôs avançar os relógios em 20 minutos nos domingos do mês de abril e depois retardá-los a mesma quantidade de tempo nos domingos de setembro.As polêmicas surgiram ali mesmo. Especialmente entre os fazendeiros, que têm que acordar com o Sol não importa que horas marquem os relógios. Willett não viveu o suficiente para ver sua idéia colocada em prática. O primeiro pais a adotar o horário de verão acabou sendo a Alemanha, em 1916, seguido pela Inglaterra.
Era a Primeira Guerra Mundial. A economia de energia foi considerada um importante esforço de guerra, diminuindo o consumo de carvão, principal fonte de energia da época. A medida foi seguida por outros países europeus. Os Estados Unidos o adotaram em 1918, junto com seu sistema de fusos horários. Foi difícil, mas os americanos acabaram se acostumando, pois lá o horário de verão reduz as zonas horárias de quatro para duas. O princípio continua o mesmo: adaptar nossas atividades diárias à luz do Sol. Nos meses de verão o Sol nasce antes que boa parte


da população tenha iniciado seu ciclo de trabalho. Assim, se os relógios forem adiantados durante esse período, a luz do dia será melhor aproveitada, e as pessoas passarão a acordar, trabalhar, estudar, consumir energia, enfim, em melhor consonância com a luz solar. Hoje, aproximadamente 70 países utilizam o horário de verão em pelo menos parte de seu território, mas suas datas de início e término nunca são definidas usando critérios astronômicos, embora estejam relacionados a uma estação do ano. Ocorre ainda que boa parte das porções continentais do planeta estão no hemisfério norte, acima do Trópico de Câncer. Em muitos países do norte o inverno é rigoroso e o Sol se põe bem cedo, levantando-se timidamente durante o dia. No verão ocorre o contrário: é comum haver claridade ainda por volta das 20h. É por isso que nesses lugares o horário de verão faz muita diferença.


E o Brasil?

Nos países equatoriais (cortados pela Linha do Equador) e nos tropicais (aqueles situados entre o Trópico de Câncer e o Trópico de Capricórnio), a incidência da luz solar é mais uniforme durante todo o ano e, dessa forma, não há muitas vantagens na adoção do horário de verão. Nesses casos a economia de energia, embora existente, não é tão significativa se com-parada aos transtornos causados ao relógio biológico da população.
No caso do Brasil – único país equatorial do mundo que adota o horário de verão –, verifica-se economia de energia no Rio Grande do Sul, cerca de 5% de redução da demanda integrada durante o consumo de pico (e por estar este Estado inteiramente abaixo do Trópico de Capricórnio), assim como nos demais estados da região Sul e Sudeste (pelo significativo consumo frente à média nacional). Porém, nos estados da região Nordeste e, principalmente, da região Norte, a variação de luz solar anual é insignificante. Isso sem mencionar o fato de que, como as estações são opostas em cada hemisfério da Terra, nos quase 10% de terras brasileiras acima do equador, em vez de verão, há inverno.



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