| |
| 12/03/2010
- VRS 813 |
| A epopéia de Jacob Versteg |
História da família Versteg virou livro e marca o martírio de Jacob com sua mãe e irmã
nas mãos dos índios caingangues
As primeiras levas de imigrantes germânicos se radicaram de 1824 a 1830 na Província do Rio Grande do Sul. São Leopoldo e as colônias adjacentes, como Dois Irmãos, Bom Jardim e São José do Hortêncio mantinham, desde o começo, movimentado comércio com a capital do Estado. Aos poucos os imigrantes e os próprios filhos aqui nascidos buscam novas regiões, onde as matas virgens indicam a fecundidade do solo. Surgiram, desta forma, outras colônias: Herval, em 1844; Feliz, em 1846; Linha Nova, Taquara do Mundo Novo, em 1847; São Sebastião do Caí, em 1848; e em 1850 as Picadas Café, Feijão e Schneider, assim como Passo Selbach em Bom Princípio. Tais núcleos eram ramificações espalhadas sobre círculos concêntricos cada vez mais afastados do ponto central, São Leopoldo, verdadeiro marco inicial da colônia.
Apesar da penetração nas terras pelo homem civilizado, enormes extensões de majestosa floresta ainda estavam intactas. Aguardavam apenas o braço do homem branco para desbravá-las. A região do Forromeco, cujos afluentes numerosos percorrem vales luxuriantes e fertilizam terras excelentes e possibilitam boas perspectivas de resultados positivos para uma organização colonial. Agentes de terras trabalham animados e adquirem os direitos de propriedade sobre o Forromeco Superior(São Vendelino) e mandam aos agrimensores repartir a mata virgem em colônias.
Na época da fundação da Colônia Nossa Senhora da Soledade (1858), todo o Forromeco Superior era dividido em lotes, embora eram poucos os moradores naquela imediações. Por ali se instalou Lamberto Versteg, a convite e incentivo do Major Káten, conterrâneo seu de Coclença (Reno Alemão). Depois de ter perdido sua riqueza e posição social, Lamberto percorreu a Holanda, onde adoeceu. Foi assistido no hospital por uma diaconisa, pela qual ficou apaixonado. Chamava-se Valfrida Bloom e com ela casou e teve dois filhos: Jacob e Maria Lucila. Atraídos por um folheto de propaganda sobre a nova pátria, Brasil, eis que chegam a São Leopoldo e prestes a ocupar seu espaço em terras de São Vendelino.
Família isolada
Lamberto era amante das montanhas, por isso escolheu seu lote colonial entre os morros do Diabo e da Canastra, de onde se descortinava o belo panorama do vale do Forromeco. No alto da montanha, no coração da mata virgem, constroem uma casinha e cultivam uma lavoura. Depois compram uma vaca de leite, umas galinhas, porcos e aos poucos vão sobrevivendo naquele sertão montanhoso. Em poucos anos a lavoura e a criação prosperaram e Lamberto vivia muito feliz, com a esposa Valfrida e os filhos Jacob e Lucila, já com idades de 10 e 9 anos, aproximadamente. Foi quando sobreveio a tragédia.
Se passaram dez anos após a chegada de Lamberto Versteg e sua família a São Vendelino. Nesta época (1868) toda a montanhosa região, hoje ocupada pelos municípios de Caxias do Sul, Farroupilha, Bento Gonçalves, Flores da Cunha e outros, era coberta de mata virgem. Não havia gente branca em todas aquelas matas das encostas dos rio das Antas e Caí. Eram apenas habitadas por indígenas conhecidos pelo nome de Coroados, assim chamados pelo costume que tinham de cortar o cabelo em forma de coroa. Eram índios descendentes dos antigos Guianás. Em 1882, estes indígenas, popularmente conhecidos por Bugres, começaram a ser denominados Caingangues (kaigang).
Os imigrantes, penetrando na mata, passaram a ocupar as terras que os índios consideravam de sua exclusiva propriedade. Por isso, eles não toleravam a devastação de seus domínios, suas matas, de onde tiravam o sustento. Tratavam então de dar combate aos colonizadores. Combate impiedoso, sem tréguas. Não foram poucas as famílias imigrantes que sofreram a terrível perseguição dos caingangues. Algumas foram massacradas. Outras viram-se obrigadas a abandonar as terras que acabavam de ocupar.
Os colonos do vale do Forromeco, diante dos ataques dos índios, apelaram para o governo da Provincia, que destacou 30 soldados para São Vendelino. Alguns anos antes, um pequeno índio era capturdo pelos colonos alemães de Feliz. Criado por um português, o menino foi batizado como Luís Antonio. Não gostava de ser chamado de “Luís Bugre” e era considerado extremamente vingativo. Por isso ele era muito temido.
Lamberto, em uma conversa na casa de comércio de São Vendelino, teria mencionado o nome “Luís Bugre”, fato que deixou o indígena furioso. Aproveitando-se de que Lamberto havia viajado a cavalo para uma festa do padroeiro de São Sebastião do Caí, Luís Bugre planejou um ataque dos índios caingangues à propriedade do imigrante. Depois de incendiarem a casa, tomarem os animais, os indios levaram junto Valfrida e os filhos Jacob e Lucila.
A parir daí começa a epopéia de Jacob, Lucila e a mãe Valfrida, quando tiveram que acompanhar por muito tempo os índios pela floresta. Foram realizadas inúmeras buscas para resgatar os três membros da família Versteg, mas tudo foi inútil. Segundo relatos de Jacob, anos mais tarde, a mãe e a irmã provavelmente foram mortas pelos bugres. Muitos anos se passaram e já adulto,Jacob conseguiu fugir do convívio dos indígenas e passou a viver na casa de um fazendeiro. |
|

© 1997-2005 - Editora JF Jornais e Guias -
Todos os direitos reservados
|
|