Educação

A melhor nota é nossa

17 de Agosto de 2012

Escola Santa Cruz, de Nova Milano, é apontada pelo Ministério da Educação como a melhor do Estado. Nota de 6,8 medida pelo Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) mostra que Farroupilha sabe fazer a lição de casa


 

Educar vai além da transmissão de conhecimento. Educar, em Farroupilha, é sinônimo de colaboração. E foi assim que a Escola Municipal de Ensino Fundamental Santa Cruz, em Nova Milano, conquistou o primeiro lugar na avaliação do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), divulgado na última quarta-feira, dia 15, pelo Ministério da Educação (MEC). O resultado é o melhor para os anos finais entre as escolas públicas do Estado e a 17ª posição do ranking nacional, entre 30.842 escolas avaliadas.

Na contramão do ensino gaúcho, que manteve a avaliação de 4,1 pontos, a escola Santa Cruz regozija-se com a nota obtida na avaliação: 6,8 pontos. “Esperávamos bons resultados mas, não imaginávamos que conquistaríamos a primeira colocação”, diz aos sorrisos a diretora Luciana Zanfeliz, 42 anos. A escola cresce a olhos vistos. Desde a primeira avaliação, a Santa Cruz apresentou um crescimento de 2,3 pontos. Largou de 4,5 pontos em 2005, cruzando por 4,9 (2007), saltou para 6,0 (2009) até alcançar os atuais 6,8.

“A receita está, sobretudo, na valorização dos professores, em oferecer uma infraestrutura adequada e termos certa autonomia em relação aos alunos”, explica Luciana. Mais do que estar presente no dia a dia de alunos e professores, outro ingrediente fundamental nesta fórmula está na participação maciça dos pais. A diretora conta um episódio que mostra o envolvimento da comunidade com a escola.

“Certa vez tivemos a escola invadida e roubada. Como faz parte da cultura da comunidade a colaboração, formou-se um mutirão e promovemos um bingo beneficente para que pudéssemos recuperar os equipamentos levados pelos ladrões. Foi um gesto lindo em que os pais se envolveram”, conta. “Aqui, as pessoas sentem-se aconchegadas”, reconhece Luciana.

Outros fatores colaboram para os resultados, como o investimento no esporte. A escola dispõe de duas quadras poliesportivas – uma delas coberta – e laboratórios de informática e ciências, os preferidos. “Além das pesquisas da disciplina, os alunos produzem aromatizantes e saches perfumados”, orgulha-se a professora de Ciências, Kátia Grazziotin Brites, 49. Segundo ela, o espaço deve ser agradável para que o estudante sinta-se bem e tenha vontade de aprender. Ela encorpa o coro quando o assunto é colaboração. “Aqui todo mundo ‘pega junto’. A parceria é fundamental.”


Educação com amor

Para quem visita a escola, já percebe o envolvimento de alunos, pais e professores ao entrar. E as histórias de superação são muitas, conforme a diretora. Luciana se lembra de uma aluna no início da sua carreira como professora, há 23 anos. “Era uma menina tímida, apresentava dificuldade na aprendizagem. Certa vez, em uma apresentação da escola, ela disse que gostaria de ser advogada quando crescesse. Diante disso, reforçamos a atenção sobre os estudos de Língua Portuguesa e Matemática. Hoje, ela atua como advogada em Santa Catarina”, recorda a professora, com um brilho contagiante no olhar.

Há outra passagem que marca Luciana. “Outro estudante tinha problemas com o ensino da Matemática. Era inquieto e perdia o foco com muita facilidade. Reforçamos a atenção a ele. Hoje, nosso estudante é contador”, relata a diretora com certa vaidade. “Temos um olhar amoroso sobre o aluno”, revela Luciana.


Orgulho de estudar

Diante da dedicação do corpo docente da escola, os alunos deixam claro o amor pela Santa Cruz. A estudante do 8º ano, Rauana Madalosso, 14 anos, conta que estuda na escola desde tenra idade. “Uma vez fui morar em Caxias do Sul, mas pedi para voltar para cá”, diz ela. Dos locais preferidos, está o laboratório de Ciências. “Adoro fazer experiências”, conta sorrindo.

O colega de sala, Eduardo Chiele, 15, prefere o laboratório de Informática. Aluno recente – ele chegou na escola no ano passado -, o adolescente nutre um grande carinho pelos colegas. “Pelos professores e pela ‘dire’ também”, apressa-se em responder. O bate bola na hora do recreio é um prenúncio do seu futuro. “Quero ser jogador de futebol. Se não der, quero cuidar dos animais. Quero ser veterinário”, conta.